Muito além do cidadão Kane

Finalmente assisti ao documentário "Muito além do cidadão Kane", sobre a rede Globo. De acordo com o anedotário popular, esse documentário está com a exibição proibida no país. O estadão tem uma reportagem sobre os dez anos de Muito Além do Cidadão Kane.

Aqueles que já estão acostumados a acompanhar outras fontes jornalísticas senão a própria Globo, pouco irão se surpreender com o documentário, que não traz muitas novidades. Já os apolíticos por opção, que sempre acham que por trás de uma teoria da conspiração só pode haver uma teoria da conspiração, certamente irão apreciar o documentário, relembrando a história que passou e eles se esqueceram de ver.

Aliás, para se adequar a um paladar mais amplo, o filme deveria ser exibido ao contrário, como está na moda atualmente. A quarta e última parte se concentra na exibição de ações de desinformação concretas, incontestáveis da rede Globo. Destaque para cobertura da aniversário de São Paulo, onde se esqueceu de falar das Diretas Já, e para a edição do debate Lula vs Collor em 89. Sobre o debate, temos inclusive o depoimento dos degolados na equipe de jornalismo da Globo à época.

Com as defesas derrubadas, os céticos poderão apreciar melhor a história descrita nas partes anteriores. Agora, quase 13 anos depois do lançamento do documentário, e às vésperas de uma poderosa investida da direita do país, fortalecida pela vergonhosa atuação de seus antagonistas, pode-se compreender a longevidade do cartel midíatico formado por Roberto Marinho.

Vê-se nas partes iniciais do documentário como a Globo sai revigorada da morte de seu aliado estratégico, a ditadura, ao gravitar para um governo muito mais sensível, do nosso imortal José Sarney. É nesse momento que são feitas as concessões de televisão a Antônio Carlos Magalhães, ministro das comunicações, e à própria família do presidente. São essas relações com o poder público o bocado mais saboroso do filme.

Pulando para o presente, o congresso em foco tem uma relação dos deputados atualmente concessionários de meios de comunicação. O novo coronelismo midiático, inaugurado pela globo é tema de reportagem no observatório de imprensa.

Mais que criador principal veículo de mídia do país, Roberto Marinho foi o fiador das forças políticas que governaram o país por muitos anos, e agora se preparam para tomar de volta seu quinhão. Pelo visto, eles ficaram enciumados de ver outros fodendo o povo brasileiro. Eu, por mim, prefiro a imprensa fora do governo. Afinal, só reclama quem está de fora.

O Centro de Mídia Independente Brasil disponibiliza o documentário na íntegra: Muito Além do Cidadão Kane.

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